A Manu antes do Diagnóstico...

A Manu antes do Diagnóstico


    Meu nome é Manoela mais conhecida como Manu, tenho 25 anos e fui diagnosticada com TAB á mais ou menos 3 anos, faço uso de medicação desde então. Maaaaas até 3 meses atrás nunca obtive melhora, beem pelo contrário estava cada vez piorando mais.
Vou contar um resumo da minha vida até aqui, ou pelo menos vou tentar.. hehe Vou colocar em tópicos que fica mais fácil.
--> Sempre tive necessidade de ter e ser o papel principal. Desde pequenina eu queria e sempre consegui o papel principal nas apresentações de escola por exemplo: fui a Emília (sítio do pica pau amarelo), noivinha no casamento caipira,... 
Posso dizer que não é por competição, mas é uma obrigação comigo mesma. Hoje em dia ainda, até mesmo no meu dia a dia, eu tenho a necessidade de saber e fazer mais que os outros, eu tenho que ser mais importante na vida das pessoas.
--> Agressividade, siim lembro de ser muito agressiva com meus amigos. Até alguns tempinhos atrás eu fazia agressão física e verbal. 
Bater nos meus amigos, conhecidos, jogava futebol (amava jogar futebol com os meninos) e sempre me metia em confusão e batia em alguém. 
Explicação rápida para: 'amava jogar futebol com os meninos'. Por que com os meninos? eu queria ser um menino? me sentia como um menino? NÃOOOO, jamais. Lembra o que comentei acima? Eu era a única menina da sala que jogava futebol, e jogava bem (na época). Novamente, eu tinha(tenho) que ser a melhor.
--> "Grossa", Estúpida, Mal humorada,.... apesar de eu ter muitos amigos (na realidade poucos amigos e muitos colegas), na maior parte do tempo sempre fui muito agressiva, grossa, estúpida e mal humorada, os amigos que eu tinha eram os que aturavam isso tudo, por algum motivo gostavam da minha presença.
Bom, deixa eu esclarecer melhor isso, não é bem esclarecer é me defender do que eu mesma acabei de dizer. Os poucos amigos que eu tinha, eu me dava bem porque eu cuidava deles, era grossa mas ao mesmo tempo carinhosa, cuidava do que eu tinha. E com os "desconhecidos" eu os tratava muuito mal, tenho vergonha do que vou falar agora mas é a realidade, talvez você que esteja lendo precise ler esta frase: "muitas pessoas tinham medo de mim", "teve casos em que amigos assumiram a culpa (que não era deles) para me protejer e por medo de mim".
Não tenho orgulho de nada disso, eu juro que eu queria ter sido muuito diferente do que fui. Mas não posso mudar o passado e não posso me culpar por isto. (Hoje, neste momento estou bem e consigo reconhecer isto, amanhã ou depois de amanhã, ou até mesmo semana passada eu não conseguia assumir, por estar passando por outra fase da TAB).
É inclível como conseguimos ver um simples fato de várias formas em cada fase (mania, hipomania e depressão).
--> Conquistar e não continuar, me lembro que em várias ocasiões da minha vida, eu lutava até conseguir e quando eu o tinha desistia, isso quando eu não parava na metade do caminho.
Sempre quis tocar violão, toquei por muito tempo em uma vassoura de jardim, isso mesmo, fiz vários shows (para as árvores, gados, amigos e fãs invisíveis) tocando um violão de vassoura. Até que um dia ganhei de presente dos meus pais, neste momento várias coisas (pensamentos, vozes e cenas) me passaram pela cabeça, vou aprender a tocar sozinha, vou ser a melhor, e blá blá blá,...
Fiz algumas aulas e parei, em outro professor fiz algumas aulas e parei, em outro professor fiz algumas aulas e parei, a única coisa que me passava pela cabeça era: "Já fiz tantas aulas e não sei tocar", então larguei o violão. Gente como em algumas aulas você vai ser profissional? Pois é, eu queria que fosse. Se não é pra ser assim eu não quero. Não tinha mais paciência para ficar nas aulas.
E lá no armário da casa da minha mãe está meu tão sonhado violão, dentro da capa sem ver a luz do dia a muitos anos.
E assim foi com várias coisas, cursos e situações.
Outra situação que se enquadra aqui e na parte da agressão:
Por recomendação médica fui fazer muay thai (o médico informou que seria muito bom pra mim, pois iria gastar energia, ajudaria no meu joelho podre, eliminaria a carga e pensamento negativo e pesado que carrego) foi ai que na segunda aula dei um soco no rosto de uma colega de turma, pelo simples fato de que não gostei da cara dela. Resultado fui expulsa da academia.
No trabalho também foi assim, sempre escutando: -a Manu é uma grossa, -a Manu está sempre de mau humor, e blá blá blá..
Cheguei em um ponto que não aguentava mais essas frases e sabia que algo de errado não estava certo. Que alguma coisa eu tinha, pois quaaaaantas vezes (na maioria) eu falava algo que não queria, batia em alguém e quando eu via já havia batido, sim eu não queria fazer só estava em pensamento, era o que eu achava, pois eu já havia feito.
Algo que eu não tinha controle, costumo dizer que dentro de mim existe uma Manu ruim, que eu não gosto dela, não gosto da presença dela, mas ela toma meu corpo sem eu ter controle, e eu tenho que assistir e arcar com as consequências dela.
Talvez esta foi a forma mais clara que achei para aceitar o que acontece comigo.
Foi então que busquei ajuda médica...

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